Com a tragédia que foi o incêndio e o consequente desmoronamento do edifício Wilton Paes de Almeida, no centro da capital paulista, uma denúncia surgiu pela boca de alguns moradores da antiga invasão.

Trata-se do pagamento de aluguel por cada família que ali residia de valores que, pelos depoimentos, variavam entre R$ 80 e R$ 500. Esses valores eram direcionados, de acordo com os moradores, aos líderes do movimento social responsável pela invasão ao prédio.

Assista também a denúncia feita por um dos moradores em entrevista ao SBT:

https://twitter.com/saopaulo011com/status/991482018889437185?s=21

Segundo matéria do jornal O Estado de S. Paulo, existiam ali 116 famílias. Se tirarmos uma média de R$ 250 reais pagos por mês por cada família, teremos R$ 29.000,00 (vinte e nove mil reais) por mês provenientes somente desta invasão.

A Prefeitura de S. Paulo fala em 70 outras invasões de prédios na capital, cerca de 45 somente no centro da capital. Se imaginarmos somente 50 famílias por ocupação — menos da metade do que havia no prédio do Largo do Paissandu — e estipularmos a mesma média de R$ 250 pagos por cada uma dessas famílias, teríamos então a soma de R$ 12.500,00 por invasão mensalmente, ou cerca de R$ 150 mil por ano de cada invasão anualmente.

Se somadas, todas as 70 ocupações somente na cidade de São Paulo, sem considerar a grande SP, interior e litoral do estado e muito menos todo o restante do país, chegaríamos ao valor de R$ 10.500.000,00 (DEZ MILHÕES E QUINHENTOS MIL REAIS) por ano extorquidos de famílias miseráveis por parte de líderes de movimentos que insistem em dizer que lutam por moradias dignas para os sem-teto.

Com todas essas informações, se confirmadas, além de evidenciar a transformação de movimentos sociais em verdadeiras milícias criminosas operando imobiliárias do crime, podemos também concluir que essas “ocupações” nada mais são do que parte de uma grande indústria milionária (ou bilionária) da invasão de prédios abandonados em todo o país.

É urgente, em defesa dos mais pobres, que o Ministério Público e o Poder Judiciário se mobilizem em uma profunda e séria radiografia das finanças dessas organizações como também de todos seus líderes. Quem não deve, não teme.

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02/05/2018 – Opinião